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Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais
Laboratório de Fisiologia do Exercício da Escola de
Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional
RESUMO
Freqüentar a sauna é uma prática popular de jovens,
adultos e idosos saudáveis. Os médicos do esporte
são, com freqüência, solicitados a opinar sobre
o impacto da sauna nas doenças e na saúde de modo
geral. A sauna pode ser benéfica ou maléfica, dependendo
do uso que fazemos dela. Nos últimos anos, a sauna está
sendo considerada benéfica para os portadores de doenças
cardiovasculares como a insuficiência cardíaca e doenças
relacionadas com o estilo de vida, principalmente por melhorar a
função endotelial periférica, via aumento do
débito cardíaco e vasodilatação periférica.
A disfunção endotelial está presente em quase
todas as doenças cardiovasculares. O presente artigo pretende
fazer uma revisão sobre os efeitos da sauna sobre o sistema
cardiovascular em indivíduos saudáveis e em determinadas
doenças cardiovasculares.
Palavras-chave: Sauna. Função endotelial. Insuficiência
cardíaca. Hipertensão arterial sistêmica. Termorregulação.
CONCLUSÃO
A sauna pode ser considerada como terapia coadjuvante em portadores
de hipertensão arterial sistêmica ou insuficiência
cardíaca e como método de prevenção
contra doenças relacionadas à disfunção
endotelial.
INTRODUÇÃO
O banho, em suas várias formas, é um costume muito
antigo praticado pelos homens, estreitamente relacionado com o movimento
cultural e tornou-se parte integrante da história da civilização(1).
A sauna e os banhos turcos são muito populares, respectivamente,
nos países escandinavos e no Oriente Médio, e vêm
sendo praticados há séculos, inclusive com objetivo
terapêutico em várias doenças. A procura do
bem-estar e o fato de a atividade física estar sendo cada
vez mais recomendada no intuito de diminuir o sedentarismo e incidência
de doenças trazem como conseqüência a proliferação
de organizações e entidades relacionadas à
prática do esporte e da sauna, como os clubes e clínicas
especializadas (spas). O público-alvo constitui-se de jovens
e idosos, saudáveis ou não.
Com o aumento da incidência e prevalência das doenças
cardiovasculares, da obesidade e do sedentarismo nos países
industrializados, inclusive no Brasil, observa-se o aumento do número
de pacientes com doenças cardiovasculares que freqüentam
essas instituições e, especificamente, a sauna. Freqüentemente,
o médico do esporte é consultado sobre os possíveis
efeitos da sauna sobre a saúde de atletas, sedentários
e portadores de diversas doenças.
Efeitos fisiológicos(2-4), benefícios e riscos(5),
fatos e fábulas(6) da sauna foram objeto de extensa revisão.
Recentemente, a sauna foi estudada como opção terapêutica
para doenças cardiovasculares(7) e observou-se melhora de
indicadores clínicos com a terapia térmica em doenças
relacionadas com o estilo de vida(8).
O foco do presente artigo trata principalmente dessa opção
terapêutica, analisando as variáveis termorregulatórias
e cardiovasculares envolvidas com a exposição à
sauna.
A SAUNA
A sauna é caracterizada pela alta temperatura com o ar seco.
A sauna básica é constituída de um quarto,
uma plataforma em madeira, não pintada, e uma fonte de calor
(elétrica, a lenha ou a gás). O tamanho da sauna é
de cerca de 3m2 para permitir o equilíbrio calórico,
umidade adequada e ventilação (três a oito vezes
por hora). A temperatura recomendada é de 80º-100ºC
ao nível da face e 30ºC ao nível do chão(9).
A umidade relativa do ar deve ser de 10% a 20% (40 a 70g de vapor
de água/kg do ar)(9,10). O ritual habitual consiste de várias
entradas de curta duração (cinco a 20min) na sauna,
intercaladas com períodos de resfriamento e seguidas de ingestão
de líqüido(6,11).
EFEITOS AGUDOS DA SAUNA SOBRE AS VARIÁVEIS TERMORREGULATÓRIAS
E CARDIOVASCULARES
O banho de sauna representa uma carga calórica de 300-600W/m2
da área de superfície corporal(10). A temperatura
da pele aumenta rapidamente a ± 40º-41ºC(2,9-10)
e os mecanismos termorregulatórios são acionados.
A transferência do calor via evaporação da sudorese
é a única forma efetiva de dissipação
do calor do corpo na sauna seca(10). A sudorese começa rapidamente
e atinge o seu nível máximo em ± 15min. A secreção
total de suor pode chegar a 0,5-1kg/h e representa uma perda calórica
de 200W/m2 da área de superfície corporal(2,10).
O corpo não consegue contrabalançar a carga calórica,
ocasionando aumento da temperatura interna. O aumento da temperatura
retal depende da condição de exposição
ao calor e varia de 0,4ºC(12) a 1ºC(13). A circulação
cutânea aumenta substancialmente para prevenir o aquecimento
do corpo.
O fluxo sanguíneo cutâneo, na condição
termoneutra (± 20ºC) e em repouso corresponde a ±
5-10% do débito cardíaco e pode chegar a ±
50-70% do débito cardíaco (7-8L/min) na sauna(14).
A pressão arterial tem tendência a diminuir; entretanto,
essa queda é prevenida pelo aumento do débito cardíaco
por meio do aumento da freqüência cardíaca(3,14)
e pela redução do fluxo sanguíneo nos órgãos
internos(14,15).
O volume de ejeção não se modifica(3,14). O
efeito do banho de sauna sobre a pressão arterial é
variável (quadro 1). Os banhos de sauna repetidos melhoram
a tolerância ao calor e reduzem a magnitude das mudanças
das variáveis acima mencionadas(12).

Os efeitos termorregulatórios e cardiovasculares da exposição
à sauna são mostrados no quadro 1.
VASODILATAÇÃO CUTÂNEA EM RESPOSTA AO
ESTRESSE TÉRMICO EM INDIVÍDUOS SAUDÁVEIS
O controle reflexo do fluxo sanguíneo na pele em humanos
é efetuado por dois ramos do sistema nervoso autônomo
simpático: o sistema vasoconstritor ativo noradrenérgico(26)
e o sistema vasodilatador ativo dependente da acetilcolina(27) mediado
por óxido nítrico (NO)(28-30) e prostaglandina(30).
O óxido nítrico é um mediador importante do
processo de homeostase e mecanismos de defesa do organismo. Nos
vasos, o NO é produzido pelo endotélio, por intermédio
da enzima endotélio óxido nítrico sintase (eNOS),
que é ativada por estresse mecânico (como shear stress,
ou força tangencial exercida pelo fluxo sanguíneo
sobre a superfície do endotélio)(31,32) e estimulação
pela bradicinina e acetilcolina.
O óxido nítrico tem várias funções,
mas sua ação como fator relaxante derivado do endotélio
é a mais importante na manutenção da homeostase
vascular. É amplamente aceito que o óxido nítrico
produzido pelas células endoteliais provoca vasodilatação
em indivíduos saudáveis, inclusive nos vasos da pele(28,33-37).
A ativação do sistema vasodilatador é responsável
por 80% a 95% da elevação de fluxo sanguíneo
cutâneo durante o estresse térmico(38,39).
Considerando que o fluxo sanguíneo cutâneo total pode
chegar a 7-8L/min na sauna(14), ou 70% do débito cardíaco,
durante estresse térmico, é evidente o papel crítico
do sistema vasodilatador ativo na resposta termorregulatória
e na hemodinâmica sistêmica.
SAUNA E INSUFICIÊNCIA CARDÍACA (IC)
Função endotelial em portadores de IC
Em pacientes com IC, a resistência vascular periférica
é aumentada via ativação do sistema neuro-hormonal,
como: sistema nervoso autônomo simpático, sistema renina-angiotensina-aldosterona
(SRAA) e sistema endotelina(40-43).
A função do endotélio vascular em pacientes
com IC, representada principalmente pela vasodilatação
endotélio-dependente, está alterada(44-50). Essa alteração
conduz ao aumento do tônus vascular e remodelagem dos vasos
sanguíneos, o que reduz o fluxo sanguíneo periférico,
comprometendo, assim, o aporte de oxigênio para músculos
esqueléticos, com conseqüentes sintomas clínicos
e intolerância progressiva ao exercício. A disfunção
do endotélio vascular na IC é principalmente devida
à diminuição da produção de óxido
nítrico induzida pela diminuição do nível
de expressão da eNOS(51-53) e aumento do estresse oxidativo(54,55).
Estresse térmico e função endotelial
em portadores de IC
A alteração da vasodilatação endotélio-dependente
tem sido documentada em praticamente todas as doenças cardiovasculares,
inclusive na aterosclerose(56) e IC. A idéia do uso da sauna
como coadjuvante do tratamento da IC convencional não é
muito recente, pois já na década de 1950, os primeiros
estudos foram feitos com portadores de IC(57,58) e foi sugerido
o potencial efeito benéfico da sauna(58). No entanto, um
pouco mais tarde, os estudos realizados salientavam principalmente
seus riscos e recomendavam precaução em seu uso para
os pacientes cardíacos(20,21,59).
É bem conhecido que os vasodilatadores, como os inibidores
da enzima conversora da angiotensina, melhoram a IC e aumentam a
perfusão periférica(60). Como a função
endotelial é alterada na IC, o endotélio é
considerado como novo alvo de tratamento da IC(61). Com efeito,
os inibidores da enzima conversora da angiotensina(62,63) e o treinamento
físico(64,65) melhoraram a função endotelial
em pacientes com IC.
Um dos mecanismos propostos para alteração da vasodilatação
endotélio-dependente seria através da diminuição
da produção de NO nos vasos periféricos em
portadores de IC(51-53). A diminuição de perfusão
periférica diminuiria o shear stress(66). O shear stress
é um importante estímulo para produção
de NO(67) e expressão de eNOS(32,68-70).
Por outro lado, o calor aumenta o débito cardíaco
e melhora a perfusão periférica em pacientes com IC(18).
Com a melhoria do débito cardíaco em portadores de
IC, pode-se esperar aumento do shear stress, da produção
de NO e da expressão de eNOS, ou seja, melhoria na função
endotelial nos vasos periféricos e, por conseqüência,
na função cardíaca. É provável
que a estimulação térmica eleve diretamente
a expressão de eNOS, visto que, em um estudo recente, demonstrou-se
que o calor aumenta a expressão de eNOS arterial(71).
Recentemente, foi relatado que a terapia térmica a 60ºC
produziu vasodilatação arteriolar sistêmica,
pulmonar e venosa, reduziu a pré e pós-carga e melhorou
o débito cardíaco e a perfusão periférica(18),
sintomas clínicos(72,73), qualidade de vida(73) e arritmias
cardíacas em pacientes com IC(74).
Em crianças com IC grave secundária ao defeito do
septo interventricular, a terapia com sauna diminuiu a resistência
vascular sistêmica e aumentou o débito cardíaco(75).
Os efeitos benéficos da sauna em portadores de IC são
causados possivelmente pela melhoria da função endotelial
vascular e normalização do sistema neuro-hormonal(76).
Ikeda et al.(77), em estudo experimental com hamsters, constataram
que as melhorias observadas na terapia com sauna são resultantes
do aumento da expressão de eNOS nos endotélios arteriais.
Em seguida, noutro estudo(78), mostraram que a terapia térmica
com a sauna melhora a sobrevida dos hamsters cardiomiopatas TO-2
com IC e, mais recentemente, demonstraram que a terapia repetitiva
com sauna aumenta a expressão de eNOS e a produção
de óxido nítrico em endotélios arteriais de
hamsters cardiomiopatas TO-2 com IC(79).
SAUNA E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA
Davies(22) avaliou a resposta pressórica em três hipertensos
durante a exposição à sauna (85ºC, 15min)
e imediata exposição a 24ºC e 4ºC (fase
fria) e constatou em um paciente a redução da pressão
arterial (154/80mmHg para 110/60mmHg) na sauna e aumento de pressão
arterial na fase fria da experiência. Os dois outros hipertensos
mostraram aumento de pressão arterial durante a sauna (não
significativo) e na fase fria (até 252/147mmHg). Na opinião
do referido autor, a pressão arterial não aumenta
de maneira significativa na sauna e até diminui. A precaução
deve ser tomada na exposição a 4ºC.
Sohar et al.(21) não constataram queda da pressão
arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD) em seis
pacientes hipertensos durante a sauna e em 2/6 pacientes a PAS e
PAD aumentaram de maneira importante. Para eles, os hipertensos
devem considerar seriamente os riscos da sauna. Luurila et al.(80)
não constataram mudança na PAS durante a sauna e,
sim, diminuição da PAD, em 11 pacientes jovens com
hipertensão arterial essencial, depois de quatro semanas
de tratamento com placebo e exposição única
à sauna no final da experiência (85ºC e 14-20min).
A exposição repetitiva à sauna (80ºC,
1h, 2x/dia, sete dias) em indivíduos saudáveis não
alterou a pressão arterial sistólica, mas foi constatada
redução da pressão arterial diastólica(12).
Recentemente, foi avaliado(8,81) o efeito da terapia térmica
repetitiva (60ºC, 15min, sauna, 30min com cobertor na pós-sauna
deitada, 1x/dia, duas semanas) em 25 homens com, no mínimo,
um fator de risco coronariano (oito com hipertensão arterial,
três com diabetes melito, oito com hipercolesterolemia e 15
tabagistas), tendo sido constatado que duas semanas de exposição
à sauna reduziram significativamente as pressões arteriais
sistólica e diastólica (PAS: 128 ± 18mmHg para
124 ± 17mmHg, p < 0,01; PAD: 77 ± 17mmHg para 72
± 16mmHg, p < 0,05). Winterfeld et al.(82,83) relataram
o efeito benéfico da sauna, praticada de maneira regular
em pacientes hipertensos. Em um estudo com 180 pacientes hipertensos
e com outras doenças cardiovasculares, constataram diminuição
da média da pressão arterial de 162/110mmHg para 139/92mmHg(82).
Em outro estudo(83) com 47 hipertensos (sauna 2x/semana, durante
três meses) a pressão arterial diminuiu de 166/110mmHg
para 143/92mmHg.
SAUNA E DOENÇA CORONARIANA
A disfunção endotelial é um desarranjo sistêmico
envolvido na etiopatogenia da aterosclerose e suas complicações(46,84).
A função endotelial está alterada em pacientes
com doenças relacionadas ao "estilo de vida", como
hipercolesterolemia, hipertensão arterial sistêmica,
diabetes melito, tabagismo e obesidade(85). As células endoteliais
secretam várias substâncias vasoativas, como óxido
nítrico, prostaciclina, fatores hiperpolarizantes derivados
do endotélio, endotelina, tromboxana, fator de crescimento,
citocinas, dentre outros; a função endotelial é
determinada pelo equilíbrio dessas substâncias(86).
Acredita-se que a diminuição de NO e o aumento da
degradação de NO induzem aterosclerose e, provavelmente,
doenças cardiovasculares(56,85,87).
Vários estudos mostram que a exposição à
sauna é bem tolerada em pacientes com doença arterial
coronariana (DAC) estável(16,17,82,88). Entretanto, ectopias
ventriculares(16,18,20,21) e alterações eletrocardiográficas
sugestivas de isquemia foram relatadas(16,20) e a recomendação
sobre uso de sauna em pacientes com DAC é contraditória(20,21,23,89).
Dois estudos finlandeses(16,88) relatam que a sauna foi praticada
após infarto do miocárdio ou cirurgia cardíaca.
Em um estudo sobre 117 pacientes após infarto do miocárdio,
87% tomaram banho de sauna regular imediatamente após a saída
do hospital(16). Durante 10 anos de seguimento, 82% dos pacientes
continuaram a tomar banho de sauna regularmente(88). A incidência
de angina pectoris durante atividade física diária
foi de 60%. Arritmias cardíacas e alterações
sugestivas de isquemia miocárdica no eletrocardiograma foram
significativamente menores durante o banho de sauna em comparação
com teste ergométrico(16).
Recentemente, Giannetti et al.(17) mostraram que a sauna em pacientes
com DAC estável é clinicamente bem tolerada, mas é
associada à alteração isquêmica na cintilografia
miocárdica. Imamura et al.(81) mostraram que o tratamento
repetitivo com sauna melhorou a função endotelial
alterada em pacientes com fatores de risco para doença coronariana.
Biro et al.(8) avaliaram o efeito de tratamento repetido com sauna
sobre as doenças relacionadas ao "estilo de vida"
e mostraram que o tratamento repetitivo com sauna melhorou a função
endotelial e diminuiu o peso. Como foi descrito acima, a disfunção
endotelial apresenta a primeira etapa da aterosclerose e os autores
sugerem que o tratamento com sauna poderia prevenir a aterosclerose,
especialmente se combinada com dieta e exercício.
RISCO DA SAUNA EM PORTADORES DE DOENÇA CARDÍACA
As contra-indicações claras da sauna são: doenças
infecciosas, dor torácica aguda, angina pectoris instável,
infarto do miocárdio recente (quatro-seis semanas), insuficiência
cardíaca não compensada, estenose aórtica importante,
arritmias cardíacas importantes, hipertensão arterial
não controlada(16,88,89).
Os efeitos do uso de ?-bloqueadores na sauna em indivíduos
saudáveis(90,91) mostram que a pressão arterial diminui
significativamente no grupo tratado, em comparação
com placebo, mas não foi constatada hipotensão importante.
No entanto, foram relatadas reações hipotensivas na
sauna em pacientes com hipertensão arterial tratada com ?-bloqueador(80).
Em indivíduos saudáveis com adesivo transdérmico
de nitroglicerina(92), houve aumento na absorção de
nitroglicerina, na sauna, e diminuição significativa
de pressão arterial diastólica. A combinação
do uso de adesivo de nitroglicerina de curta duração
de ação e sauna poderia reduzir a pressão arterial
diastólica de maneira importante e provocar sintomas de isquemia
cardíaca. Os portadores de IC estável (cardiomiopatia
dilatada isquêmica e não isquêmica) em tratamento
de manutenção com os inibidores da enzima conversora
da angiotensina, diuréticos, ?-bloqueadores e digital toleram
bem a sauna(16,18,72,76).
Pacientes hipertensos em tratamento com bloqueadores de canal de
cálcio(80) e indivíduos não-hipertensos tratados
com guanetidina(90) ou captopril(91) suportam bem a sauna. A sauna
combinada com o consumo de álcool aumenta o risco de hipotensão
em indivíduos saudáveis(93), mas não parece
provocar arritmias cardíacas.
ACLIMATAÇÃO E SAUNA
Os estudos sobre sauna originam-se, principalmente, dos países
com clima temperado e frio e são realizados com indivíduos
supostamente pouco aclimatados ao calor. Pergunta-se qual seria
o efeito da sauna sobre os pacientes aclimatados ao clima tropical.
No sentido de responder a essa questão, o primeiro passo
foi dado em nosso laboratório ao padronizar o método
de estímulo térmico da sauna. Nossos resultados (submetidos
à publicação) mostraram que as respostas fisiológicas
de indivíduos residentes em regiões tropicais foram
semelhantes àquelas encontradas na literatura.
Em resumo, os efeitos sistêmicos da sauna parecem ser exercidos
via aumento do débito cardíaco e vasodilatação
periférica, aumento do shear stress e melhoria na produção
de óxido nítrico via aumento de expressão eNOS,
o que resulta na melhoria da função endotelial, o
denominador comum encontrado em praticamente todas as doenças
cardiovasculares.
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